23 jun

Mosteiro dos Jerónimos: o patrimônio dos patrimônios!

Vivaaaaa! Demorou, mas finalmente chegou. O momento de destrincharmos as atrações de uma das cidades que eu mais tinha curiosidade de conhecer no mundo: Lisboa, Lisbon, Lisbonne, Lisbona, Lissabon, Lizbona! O Tadeu comentou no post sobre roteiros em Portugal (aqui!) que o país estava encalacrado na nossa garganta, que tivemos algumas oportunidades para visita-lo mas que nunca dava certo e que parecia até urucubaca, não? Pois é, pois é… Isso até a nossa volta ao mundo! Se a gente ia até para o Zimbábue, como íamos deixar a “matriz” de fora? Sem chance! Mas acredita que foi somente aos quarenta e cinco do segundo tempo que Lisboa cruzou nosso caminho? Portugal foi o último país por onde passamos, gente! Mas valeu a pena? E como! Afinal tudo vale a pena quando a alma não é pequena, certo Fernando (Pessoa, para quem não pegou a piada)?

Para quem é apaixonado por História e Literatura como eu, Lisboa é a cidade mais incrível do mundo! Sério, a mais in-crí-vel do mundo! Tudo encanta, tudo fascina! Mas por mais que eu tenha andado, experimentado, reconhecido e fotografado, foi só quando eu avistei o Mosteiro dos Jerónimos que meu coraçãozinho quase parou de bater… Cometendo um auto-sincericídio aqui, confesso que chorei litros dentro dele – principalmente quando encontrei o túmulo do maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal. Ave, arrepia só de lembrar!

O Mosteiro dos Jerónimos (ou Mosteiro de Santa Maria de Belém) teve sua construção iniciada em 1501 a mando do Rei Dom Manuel I. A história conta que o projeto foi custeado com o dinheiro arrecadado através da “Vintena da Pimenta”: imposto baseado em 5% de todo o ouro trazido da África e das especiarias vindas da Índia. Consegue imaginar tamanha riqueza? Um Mosteiro majestoso construído com CINCO POR CENTO do que era recolhido? Ou seja, temos dinheiro, gastemos dinheiro. Não a toa o Dom Manuel I foi apelidado de “o afortunado” ou “o bem-aventurado”.

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Como não poderia deixar de ser, o Mosteiro pertencia a Ordem de São Jerónimo e serviu de abrigo para os monges até 1833. Mas vamos combinar? Haja monge, hein? Para encher um lugar gigante como esse… As principais funções dos rapazes eram rezar pela alma do todo soberano e sua família, assim como oferecer suporte aos navegadores que se lançavam no tenebroso mar em busca de um novo mundo. As principais áreas abertas para a visitação são a igreja em si, o coro alto, o claustro, refeitório e a sala do capítulo. O tempo de visita é bastante variável, viu? Tudo depende da sua animação!

A porta sul do Mosteiro, apesar de ser a-lu-ci-nan-te, não é a sua principal entrada (e viva a “Vintena da Pimenta”!). Essa porta tem como figura central a Santa Maria de Belém (está lembrado que o mosteiro também é conhecido como Mosteiro de Santa Maria de Belém?) com o menino Jesus nos braços, circundada por dezenas de estátuas de profetas, apóstolos e heróis nacionais. O Infante Dom Henrique, que fomentou os grandes descobrimentos no século XV, também está ali representado como um guerreiro, vestindo uma armadura, com uma espada na mão e tudo.

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A porta principal é bem mais modesta do que a porta sul, mas infinitamente mais importante, tanto por sua localização (em frente ao altar) quanto por seus adornos. Nela estão representadas cenas do nascimento de Jesus Cristo, da anunciação a epifania. Um pouco mais abaixo é possível observar as estátuas de Dom Manuel I e Dona Maria (rei e rainha, respectivamente), junto de São Jerônimo e São João Baptista. Vamos entrar na igreja de uma vez então?
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A igreja do Mosteiro é constituída por três grandes naves, cobertas por um teto em abóbada e várias nervuras (abóbada polinervada), sendo possível facilmente observar elementos que caracterizam o estilo manuelino: cruz da Ordem militar de Cristo, esfera armilar, cordas náuticas e motivos vegetalistas. Ah, e apenas esclarecendo, estilo manuelino é igual a “estilo decorativo, escultórico e de arte móvel que se desenvolveu no reinado de Dom Manuel I e prosseguiu após a sua morte”. Feito? Feito!

Assim como grande parte das igrejas seculares européias, muitos restos mortais foram depositados aqui. A diferença é que esses túmulos só “guardam” gente importantíssima: Vasco da Gama, Luís de Camões, Dom João III, Dona Catarina de Áustria, Dona Maria e claro, Dom Manuel I “em pessoa”. Os vitrais também são um caso a parte: grandes janelas representando seus reis fundadores, santos patronos, monges jerônimos e heróis da época dos descobrimentos. Puro luxo, pura história!

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E aí quando você acha que já viu de tudo, finalmente chega no claustro. Para quem não sabe, “claustro é uma construção de forma quadrangular com um ou dois andares constituídos por galerias cobertas, abertas para um pátio através de arcadas” (definição extraída do site do próprio Mosteiro). Aparece normalmente como um apêndice da igreja, localizando-se a sua volta dependências conventuais como sala do capítulo e refeitório. O claustro era utilizado pelos monges como área de leitura, oração, meditação e lazer. É tarefa árdua ter o claustro do Mosteiro apenas para si, mas procure um canto para si e procure relaxar… Como um monge faria. Melhor terapia não há!
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É ainda no claustro que está localizado o túmulo do poeta Fernando Pessoa, que nasceu em Lisboa em 1888 e faleceu em 1935 vítima de cirrose hepática causada pelo excesso de álcool ao longo de sua vida (eita Fernando…). Na comemoração do centenário do seu nascimento, seu corpo foi transladado para o Mosteiro, conferindo o reconhecimento que infelizmente não teve em vida. Dizem que ele visitava o Mosteiro com uma certa frequência em busca de tranquilidade. Para quem é fã, estar ali é realmente um privilégio.
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Na Sala do Capítulo, que era onde os monges discutiam problemas relativos à vida administrativa, o destaque é o túmulo de Alexandre Herculano, historiador e romancista do século XIX. Já no Refeitório é importante que você observe principalmente as paredes revestidas de azulejos do século XVIII representando cenas do Antigo e Novo Testamento. No coro alto, o que mais te chamará atenção será o cadeiral desenhado pelo arquiteto Diogo de Torralva e executado pelo mestre Diogo de Çarça em 1550. São duas séries de cadeiras, sendo que cada uma possui um assento levadiço no qual se encontra a “misericórdia” decorada com vasos, guerreiros e animais estranhos. As cadeiras são decoradas de forma distinta: enquanto algumas apresentam temas profanos, outras têm inspiração religiosa com imagens de santos. É tanto luxo, tanto detalhe. Realmente de pirar! Podíamos esperar alguma outra coisa de um Patrimônio da Humanidade? Não, certo?
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Praça do Império. De terça a domingo, 10h às 17h30 (18h30 de maio a setembro). Entrada: € 10. Pessoas com mais de 65 têm 50% de desconto. Crianças com menos de 14 anos não pagam. O bilhete combinado Torre de Belém/Mosteiro dos Jerónimos custa € 12. Fecha às segundas-feiras e nos dias 1 de janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 13 de junho e 25 de dezembro.


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